O noc noc é para mim, desde a sua incepção, um lugar fértil gerador de firmações, cruzamentos, aglomerações, trocas e experiências que ficaram marcadas na cidade de Guimarães. Gravado em cartografias efémeras, sempre mutável no tempo e espaço através da rede de caminhos traçados por números, ligados aos pontos efervescentes formadores de toda essa trama de brotos pré-outonal, inerente ao evento que convoca os criadores de fora e os integra no meio.

O  mural representa esse mesmo rizoma, um circuito fechado e entrelaçado, que se modifica e expande, aconchegado pelos braços de uma cidade que o acolheu com o mesmo calor de uma terra que faz  brotar todas as espécies de bolbos ou raízes, nas diversas formas - orgânica e social - compostas pelos nutrientes nativos e pelos novos compostos que chegam. 

A riqueza  deste rizoma não é qualificável, não deriva de princípios que o circunscrevem, elabora-se em simultâneo, partindo e chegando a todos os pontos, com a influência de diferentes observações e conceitos inerentes a cada caminho, a cada ponto, e, mais importante, ao seu todo. Uma rede imprevisível, que tanto forma novas raízes, como germina novas emissões, que por ali circulam em permanência, ou seguirão já energizados para o seu novo destino.

Num primeiro esboço de conceito, pensei numa abordagem mais minimalista e icónica, baseada numa colagem de um abraço que envolve algo incógnito, preterido ou ocultado pelo rasgo de papel. A esta figuração achei imprescindível acrescentar a vida e parafernália necessários para ilustrar a essência do  Guimarães noc noc, conferindo a este trabalho um significado mais completo e uma nova vida, resultando numa nova linguagem de dois estilos e técnicas distintas do meu discurso gráfico: a colagem e o desenho, que apresentei em ocasiões distintas do noc noc (em 2016 como fitacola collage, e em 2012 com desenhos) e que assim se materializam numa nova comunhão, voltando de novo ao bolbo rizomático.

English:

Since its inception, noc noc is for me, a fruitful place generator of firmaments, crossings, clusters, exchanges and experiences, marked in Guimarães city. Engraved in ephemeral cartographies, always mutable in time and space, through a network of numbered paths traced, connected to effervescent dots forming this whole grid of pre-autumn sprouts, inherent to the event that summons the creators from abroad and integrates them in its core.

The wall represents that same rhizome: a closed, entangled circuit, that changes and expands, snuggled by the hug of a city, embracing it with the same heat as a seasonal soil making every species of sprouts and roots in different shapes - organic or social - formed by the native nutrients along with the new arriving composites.

This rhizome's richness is unspeakable, does not derive from circumscribed fundaments, simultaneously elaborates itself, departing and arriving through every point, with the influence of different observations about each path and joint's inherent concepts, and, more importantly, in it's whole. An unpredictable network that forms new roots while generating new emissions, permanently gravitating there, or will depart energized to his new destination. 

On a first conceptual draft, I proposed a more minimalistic and iconic approach, based on a collage where a hug embraces something incognito, deprecated or hidden by the torn paper. Then I thought it was indispensable to add to this figurative piece more substance and the necessary paraphernalia to illustrate Guimarães noc noc's true essence, giving it a new meaning, more complete and alive, resulting in a new aesthetic approach with two distinct styles I usually work on, and have shown in past editions of noc noc: (in 2016  as fitacola collage and in 2012 with drawings), merging this way in a new communion, back again to this rhizome sprout.
Casal Chileno w/ Nuno Simão
Original draft
Proposal mockup
Starting point, first proposal
Event catalogue:

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